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ÉLIO CARREVETTA sobre as Categorias de Base

03/10/2002 - 18:00

Desenvolvimento das bases psicomotoras e coordenativas do futebolista

A estrutura psicomotora:

A construção da estrutura psicomotoras é precoce e a meninice é o período apropriado para a formação desta qualidade. O desenvolvimento psicomotor acompanha a evolução do sistema nervoso, contribui para a ampliação do conhecimento do próprio corpo, de suas partes, estabelece relações com os processos funcionais, de regulação e controle dos movimentos. Além disso, qualifica os mecanismos perceptivos, sensoriais, cognitivos e motivacionais. Suas deficiências comprometem em alta escala a aprendizagem dos fundamentos técnicos e táticos e, como conseqüência, a condução do futebolista ao elevado rendimento.
O período entre 7 e 11 anos se destaca como estágio decisivo para o desenvolvimento das estruturas psicomotoras de base, representando a fase propícia para o treinamento dos elementos constitutivos da capacidade de diferenciação, reação ótica-acústica, ritmo, aprendizagem motora e capacidade cognitiva. É o período ideal para a iniciação ao futebol nas escolas esportivas.

A coordenação:

A coordenação está associada à condução e à regulação da motricidade humana, servindo como base para a execução de qualquer movimento do futebolista. É resultante da interação das qualidades físicas motoras e psicomotoras.
O desenvolvimento das capacidades coordenativas possibilita ao indivíduo aprender com eficácia quais são os fundamentos técnicos que, uma vez assimilados, o fazem descobrir novas formas de movimentos e a introduzir variações ou modificações nos seus gestos.

A coordenação contribui para o indivíduo sincronizar e organizar eficientemente todos os elementos que interferem na execução de um gesto simples ou de um movimento complexo, seja em relação ao seu próprio corpo, à bola, ao campo, às diferentes situações de jogo, à meta, ao regulamento, aos companheiros de equipe e aos adversários.
A capacidade coordenativa é constituída por uma série de processos que interagem com as áreas motoras, neurofisiológicas, cognitivas, perceptivas e da memória. O período ideal para um melhor aproveitamento do desenvolvimento das capacidades coordenativas ocorre no final da infância e puberdade - período correspondente à idade relativa entre 12 e 15 anos - e está em correlação com a formação das seleções nas escolas de futebol .
O desenvolvimento da coordenação estimula e melhora o refinamento dos processos de percepção, a memória motora e o repertório de movimentos. Estabelece, também, a base que passa a contribuir para a superioridade e a eficácia dos analisadores e dos condicionantes da motricidade, além de reforçar as estruturas de assimilação de novos movimentos e proporcionar uma infra-estrutura específica para a transição eficaz do trabalho geral à especialização do futebolista.
Destacamos a importância de orientar exercícios de flexibilidade, nesta etapa do desenvolvimento, que corresponde o estirão de crescimento da puberdade, pelo fato do futebolista não desenvolver massa muscular e tecidos conectivos de maneira tão rápida como na adolescência.

Desenvolvimento da formação específica do futebolista:

O estágio para a formação específica do futebolista estabelece uma íntima relação com o processo de crescimento. Corresponde à faixa etária entre 15 e 16 anos, período em que está finalizado o estirão e ocorre a estabilização corporal; e à fase sensitiva para o treinamento das técnicas combinadas, compreensão do jogo, força máxima, velocidade e resistência anaeróbia.

Força:

O desenvolvimento da força e do metabolismo anaeróbio está condicionado à produção hormonal de testosterona, que atinge o nível de 60g/100ml nos meninos aos 11 anos e 85g/100ml nas meninas, tornando-se superior a 650g/100ml nos meninos entre 15 e 16 anos.
No período que o nível de força é similar entre ambos os sexos, a testosterona apresenta poucas diferenças quantitativas entre os meninos e as meninas. Já na puberdade, o aumento de testosterona e, conseqüentemente, o nível de força no homem é superior às mulheres.
Para o futebolista atingir o elevado rendimento no cabeceio, em contatos corporais, mudanças de direção, potência nos chutes e arrancadas, deverão ser desenvolvidas os pressupostos básicos para estes domínios através do treinamento de força e por meio do uso da massa muscular - enfatizando a força rápida.
Como conteúdos desse treinamento formativo são orientados os multilançamentos, os multi-saltos e os exercícios de força em forma de jogos e circuitos.
Os multilançamentos têm como finalidade o desenvolvimento da força muscular do trem superior e tronco. São utilizados as bolas de medicinebol, com peso de até 1kg, que são lançadas sobre a cabeça com uma ou duas mãos, de diferentes formas e posições.
Os multi-saltos têm como finalidade o desenvolvimento da força muscular do trem inferior. São efetuados saltos variados, utilizando as pernas alternadamente ou ambas ao mesmo tempo, assim como saltos sobre barreiras, com distâncias e alturas adaptadas às características do futebolista.

Para influenciar positivamente o desenvolvimento da força, é suficiente um volume total de 60 a 80 contatos com o solo por sessão de treino, 120 a 160 por semana, com período de sobrecarga que não ultrapasse os seis segundos, dispersos em seis a oito semanas.
A estrutura de treinamento gradual e sistemática e o fortalecimento da musculatura dorsal e abdominal são requisitos básicos para a formação do futebolista e essencial para a realização dos multi-saltos e multilançamentos. A aplicação equilibrada dos componentes para o desenvolvimento da força, evitará o desequilíbrio acentuado que muitos futebolistas apresentam entre a musculatura do trem superior e tronco em relação às pernas.

Capacidade aeróbica:

Para o efetivo desenvolvimento da capacidade aeróbica poderão ser utilizadas as diferentes formas de jogos, corridas intervaladas com baixa intensidade, assim como a corrida contínua. Mas o excesso de corrida contínua pode repercutir negativamente sobre o desenvolvimento das qualidades nobres dos futebolistas, velocidade e coordenação, assim como pode provocar aborrecimento e falta de motivação para o treinamento.

Capacidade anaeróbica:

O período é próprio para o treinamento da capacidade anaeróbica lática. O desenvolvimento dar-se-á de forma progressiva, buscando ativação da via e acostumando o organismo a trabalhar com quantidades moderadas de ácido lático. Durante o treinamento começam a surgir os sintomas de dores musculares, pernas pesadas e freqüência cardíaca próxima da máxima.
Para o desenvolvimento da capacidade anaeróbica lática são utilizados os jogos de corridas com distância e velocidade variadas, corrida intervalada com média e alta intensidade (distância entre 80m e 120m, a ritmos com intensidade submáxima e recuperação curta), pequenos jogos com intensidade elevada e pequenas pausas (3x3, 3x4, 4x3, 3x2, 2x3,...), e o treinamento sob pressão do tempo, limitando as dimensões do campo e criando dificuldades que perturbam a realização dos movimentos.

Velocidade:

A velocidade é componente físico-motor de relevante importância na concepção atual do futebol. A progressão do nível de jogo está relacionada à capacidade que possuem os atletas de realizar suas ações em espaços cada vez mais reduzidos e a velocidades cada vez maiores.
O treinamento da velocidade exige muito dos sistemas neural e hormonal. O volume de treinamento é reduzido e as pausas de recuperação são grandes. O desenvolvimento da capacidade de concentração exerce papel decisivo no desempenho e permite o controle dos processos psico-reguladores pertencentes aos fundamentos psicológicos da velocidade.
A velocidade se manifesta de diferentes formas no futebol:
Em estado genuíno, nos deslocamentos sem a bola, em resposta aos sinais visuais, sinestésicos e auditivos e, em contato com a bola através das fintas, dribles e passes.
Associada à força, ela é traduzida nos saltos para o cabeceio, nas mudanças de direção e nos chutes.
A velocidade segmentária é expressa por um segmento do nosso corpo que se desloca em alta velocidade. Está diretamente relacionada com o tipo de fibras musculares, com a coordenação e com o nível de execução técnica. Apresenta-se nos movimentos acíclicos, como os arremessos laterais, os saltos para o cabeceio, os giros rápidos e os chutes. É importante ensinar aos futebolistas a atuarem em velocidade ótima, onde os movimentos são realizados com a maior velocidade possível dentro da máxima eficiência técnica, ou seja, a velocidade de execução deve estar relacionada as suas capacidades momentâneas. Se os exercícios forem combinados com sinais para seu início, podem contribuir simultaneamente para o desenvolvimento da velocidade de reação.

Velocidade de reação é a possibilidade de reacionar no menor tempo possível frente a um estímulo concreto. Exercícios com estímulos acústicos, táteis ou óticos, com saída estática ou em movimento, com distâncias entre 5 e 15m, pausa de aproximadamente 2 minutos e no máximo 10 repetições, são aplicáveis para treinar a velocidade de reação não-específica.
Velocidade de ação é a capacidade de efetuar uma série de movimentos com precisão ótima no menor tempo possível. É necessária uma estreita combinação entre os conteúdos de velocidade pura e os conteúdos técnico-táticos do treinamento. No treinamento são enfatizadas a correta utilização da técnica, a elevada qualidade de execução, e são grandes os períodos de recuperação - não podendo decrescer a qualidade de execução. As situações do treino devem manter uma estreita relação com as situações de jogo. Observa-se no contra-ataque, nas antecipações, nas recepções e nas recuperações.
A maioria das ações no futebol é realizada com força e velocidade submáximas, com grande precisão e resolução. São raras as ações que são realizadas com força e velocidade máxima.

 
 
 
 
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