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PROFESSOR DA UNICAMP FAZ PESQUISA.

22 / 07/2002 - 22:40

AQUI ESCREVE RODRIGO AZEVEDO LEITÃO, MESTRANDO EM CIÊNCIAS DO ESPORTE PELA FACULDADE DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNICAMP. SOU COLUNISTA DO FUTIBA E PESQUISADOR DO FUTEBOL DESDE 1998. DEDICO-ME A ESTUDOS RELATIVOS A QUESTÃO TÁTICA HÁ DOIS ANOS APROXIMADAMENTE E MEU MESTRADO ESTÁ RELACIONADO A ESTA QUESTÃO.

POIS BEM, COM RELAÇÃO AO TEMA DA SESSÃO DOIS TOQUES, PONTUO DUAS REFLEXÕES:
1o – O poder de convocar qualquer jogador, com desejadas características permite ao técnico da Seleção Brasileira eleger o esquema tático que acredite trazer maiores benefícios e a partir dele escolher seus jogadores (diferente do que ocorre nos clubes, onde o técnico tem que adaptar o esquema aos jogadores);

2o – Por mais que a divisão numérica da disposição dos jogadores em campo (4-4-2, 4-3-3, 3-5-2, 4-3-1-2, etc) seja algo de muita importância para o entendimento da formação tática de cada equipe, o que ocorre durante o jogo reflete uma alternância constante destes números em prol de posicionamentos que proporcionem vantagens numéricas tanto quando se ataca, tanto quando se defende.

Partindo destas reflexões é necessário que observemos com muita atenção como o Brasil se posicionou nos seus jogos da Copa. Nossa Seleção alternou momentos em que efetivamente seus três zagueiros se posicionaram como tal, com períodos em que o jogador Edmílson (e às vezes outro dos três zagueiros) participara como jogador de meio-campo (desarmando e armando), quase como um meia de contenção.

Na prática isto permitiu ao Brasil dar mais liberdade a jogadores efetivos do meio campo que puderam participar mais do ataque juntamente com os alas brasileiros sem comprometer o sistema de marcação. Quando o Brasil era atacado, o meio campo tinha mais tempo de se recompor oferecendo combate ou fazendo coberturas. Para ficar mais claro vamos separar as situações:

· ATAQUE – com três zagueiros efetivos – Nesta condição a Seleção Brasileira liberava seus dois alas para participarem efetivamente da armação e das jogadas de ataque (sempre acompanhados de um ou outro atacante pelas laterais do campo). O meio campo brasileiro nesta condição ficava mais contido para maior liberdade dos alas. – dois zagueiros efetivos e um mais à frente – Nesta condição o meio campo brasileiro ficava mais livre para apoiar os alas (não simultaneamente), criando triangulações com os atacantes. Quando um dos nossos meias ficava preso na marcação, o terceiro zagueiro (“falso zagueiro”) era quem apresentava-se para esta função. Ainda nesta condição, a armação das jogadas ficava mais a cargo do meio campo ou de algum atacante que recuava para tal função.

· DEFESA - com três zagueiros efetivos – Nesta condição, com a maior liberdade dos alas, sempre havia um zagueiro para cobrir a subida destes jogadores (os alas) e ainda para ficar na sobra da marcação do meio campo e dos próprios zagueiros. – dois zagueiros efetivos e um mais à frente – Nesta condição, o terceiro zagueiro ficava responsável por duas situações. Na primeira, quando nosso setor de meio campo ainda não estava bem posicionado, ele ficava responsável pelo primeiro combate no setor até que os jogadores guardassem as devidas posições. Na segunda, quando o meio campo já estava bem posicionado, o terceiro zagueiro se colocava na cobertura ou sobra dos alas ou próprios jogadores de meio.

É claro que um sistema de jogo bem organizado e trabalhado pode executar qualquer uma das funções e resolver qualquer uma das questões colocadas. Mas vejamos.

Talvez, quando assumiu a Seleção, tenha ele identificado total desequilíbrio entre os setores defensivo, de meio campo e ofensivo. Na defesa deve ter tido a maior preocupação, já que possuía dois ótimos alas para apoiar o ataque mas que não davam conta de equilibrar suas ações defensivas e ofensivas (pois já teriam perdido tal característica). Utilizar mais um jogador de meio campo para realizar coberturas às subidas destes alas poderia ser a solução. Porém, talvez não tenha acreditado na possibilidade de que algum jogador da posição pudesse realizar tal função com tamanha segurança. É bom lembrar que o Brasil não podia perder (não podia tomar gols) e muito menos tinha tempo para realizar treinamentos. Talvez, em sua análise, tenha entendido ser mais fácil e rápido preparar seus atletas (de confiança) para jogar com três zagueiros (alterando o mínimo possível a função dos jogadores de meio e dos laterais-alas) do que desencadear todo um outro processo de ajustes que talvez não confiasse ser possível realizar em tão pouco tempo.

Se estava certo ou não, não era o centro da questão. O importante é que tinha objetivos planejados e confiou neles até o fim.

Já na Copa talvez tenha mantido suas convicções por dois motivos principais: 1. Quem pregava união e confiança precisava dar o exemplo. Mostrar confiança naqueles que se propuseram a fazer o 3-5-2 a dar certo passaria por manter o esquema.

2. Agora, teria ele algum tempo para ajustar o esquema e fazer com que ele realmente desse certo, prestigiando não só os jogadores mas também suas convicções.

É bom lembrar, porém que a primeira vez que Felipão usou o 3-5-2 com Roque Jr, Edmílson e Lúcio foi no último jogo das eliminatórias, e que por um bom tempo alternou estes jogadores, Cris e Anderson Polga até se decidir pelo melhor trio. É bom lembrar também, que em todas as partidas em que entrou com estes três jogadores (Roque Jr, Edmílson e Lúcio) o Brasil não perdeu. Então, fico ainda mais convicto de que o principal motivo para Felipão utilizar o 3-5-2 como esquema base para a Copa foi o fato citado de que nossos alas apoiavam sem equilibrar ações ofensivas e defensivas, e que alterar isso ou alguma composição de meio campo seria mais difícil em curto prazo do que inserir um zagueiro. Convicto também de que a adaptação a este esquema estava indo bem, o levou para a Copa.

 
 
 
 
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